MECANISMOS DE TOLERÂNCIA DA VARIEDADE DE MILHO “SARACURA”

JOSÉ DONIZETI ALVES, MARCELO MURAD MAGALHÃES, PATRÍCIA DE FÁTIMA PEREIRA GOULART, BÁRBARA FRANÇA DANTAS, JORGE ALBERTO DE GOUVÊA, RÚBIA PADILHA PURCINO, PAULO CÉSAR MAGALHÃES, DANIELA DEITOS FRIES, DÁRLAN EINSTEIN EINSTEIN DO LIVRAMENTO, LAUDIENE EVANGELISTA MEYER, MARINA SEIFFERT, THIAGO SILVEIRA

Resumo


Esta revisão tem por objetivo discutir mecanismos de tolerância desenvolvidos por plântulas da variedade de milho “Saracura” (BRS 4154), que possui, como principal característica, tolerância a períodos intermitentes de encharcamento do solo. Os primeiros estudos de análise de tolerância à baixa disponibilidade de oxigênio no meio, sob condições controladas, em sala de crescimento, confirmaram essa característica, ao revelar que as plântulas suportam até quatro dias de hipoxia sem nenhum dano aparente. A partir daí, apresentaram, na região do mesocótilo, uma região translúcida, característica de lise celular, a qual evoluiu para uma constrição, com o prolongamento do estresse, causando murcha, tombamento e morte das plântulas. Estudos posteriores revelaram que a deficiência de oxigênio provocou uma intensa e irreversível degradação da parede, como resultado de uma elevação na ação, principalmente, das enzimas poligalacturonase e celulase. As causas da tolerância do milho “Saracura” foram atribuídas a uma resistência ao ataque de enzimas de degradação da parede celular, ao desenvolvimento de aerênquimas tanto no colmo quanto nas raízes e a uma alta capacidade de recuperação da fotossíntese após períodos de alagamento. Foi observado que, na germinação, o cálcio diminuiu o tamanho das plântulas e aumentou a sua tolerância ao alagamento, retardando o aparecimento da constrição no mesocótilo. Durante a germinação, na presença desse elemento, as reservas de carboidratos ficaram preservadas na cariopse, atrasando o desenvolvimento das plântulas e, quando em condição de alagamento, essas foram alocadas e utilizadas, permitindo a manutenção do metabolismo celular por mais tempo. Ficou constatado, também, que o cálcio aumentou a estabilidade da parede celular e induziu um ajustamento osmótico, pelo aumento na concentração de aminoácidos, principalmente a prolina.


Palavras-chave


Hipoxia;cálcio;parede celular;enzimas

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DOI: https://doi.org/10.18512/1980-6477/rbms.v1n01p%25p